Primeiros Passos na República Tcheca

A primeira impressão que tive ao sair do aeroporto de Praga foi a de estar em São Paulo. O sol brilhava no céu de final de Setembro, tornando a temperatura mais do que agrádavel para a estação e me fazendo transpirar. Taxistas disputavam passageiros, buzinas ecoavam não muito longe, largas avenidas eram ocupadas por caminhões pesados e carros de passeio que dividiam espaço no trânsito semi-caótico e de sinalização razoável, enquanto o som de uma banda internacional tocava no rádio. Tirando o fato dos anúncios publicitários e placas de sinalização estarem escritos em uma língua até então incógnita, nada me dava a sensação de estar na Europa. Pelos primeiros vinte minutos a estrada aos arredores do aeroporto, o trânsito, a bagunça e o barulho não diferiam em nada a capital Praga de qualquer outra cidade cosmopolitana.

Mais meia hora e as avenidas desapareceram por completo, dando espaço a muito verde e pequenos vilarejos de nomes complicados, onde todas as casas pareciam estar com a construção em andamento, além de trazer uma pequena queda na temperatura, me fazendo vestir o casaquinho que até então estava amarrado à cintura. Rápida parada no posto de gasolina e pude notar a placa em tcheco que dizia: “Bem vindo à Pořiči nad Sázavou”.

Em poucos minutos estacionamos em frente à uma casa de três andares também com a construção inacabada, portão antigo, um lindo e imenso jardim que abrigava um lago do tamanho de uma piscina infantil de plástico, e fomos recepcionados por um Golden Retrivier que latia desesperadamente e abanava o rabo em sinal de boas vindas.

Para mim, uma pequena vila na região central da Bohemia e no meio do nada, menor do que o bairro onde cresci em São Paulo, mas considerada de grande extensão quando comparada às vilas vizinhas, famosa por hospedar uma importante empresa internacional – Masterfood – e indispensável dizer local de trabalho de praticamente 70% da população local. Uma vila onde duas distintas e seculares igrejas dividiam espaço com dois bares/restaurantes, uma estação praticamente fantasma de trêm, o correio, uma escola, uma tabacaria, muitos pastos e duas lojas onde a diversidade de produtos ia de pães e biscoitos a detergentes e desodorantes, incluindo serviço de loteria. ‘Obrigada-meu-Deus-por-eu-não-morar-aqui’ tipo de cidade. Com a diferença de que aparentemente esse seria o cenário da minha próxima casa e a partir daquele momento, eu me tornava mais uma habitante de Pořiči nad Sázavou, quase que numa ironia e parecendo castigo para me fazer pagar a língua por anos atrás ter dito que jamais seria capaz de viver em Baependi, sul de Minas Gerais. Pořiči nad Sázavou, ontem 1028 habitantes, hoje 1029. Lar doce lar?

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